Amizades Liquidas: sobre vínculos frágeis na era digital
Zygmunt Bauman, ao falar sobre os vínculos humanos na modernidade líquida, observou que “as conexões são mantidas enquanto oferecem prazer e são rompidas quando deixam de ser satisfatórias”. Essa lógica, herdada do consumo, contaminou também as relações de amizade: há quem confunda a solidez do vínculo com a frequência das respostas, como se o afeto fosse uma linha de produção capitalista na qual somos obrigados a cumprir metas. Espera-se que estejamos sempre à disposição do desejo imediato. Mas a amizade, no seu sentido mais profundo, não se mede pelo tempo de retorno, e sim pela confiança silenciosa de que o outro existe para além do nosso campo de visão. A presença física ou digital não é a única prova de cuidado às vezes, é na ausência que a maturidade do vínculo entre indivíduos se revela. Vivi uma experiência desagradável com uma colega de trabalho que me chamava frequentemente de “amiga” e, por um tempo, acreditei. Respondia constantemente às suas mensagens, mantendo contato diá...



