“O si mesmo, como um outro” as relações de afeto e a tecnologia em um mundo vazio
Em algum lugar no espaço entre os
grandes arranha céus, barulhos dos grandes centros, além dos oceanos e todas as
milhares e milhares de vidas existentes no imenso espaço. Alguém sentou, tomou
um café, leu um jornal, acessou seu telefone, entrou nas redes sociais, sorriu
com emotions e esteve pensando nas
diversas interações da vida moderna urbana marcado pelos tempos cronometrados
do relógio. Na teoria da narrativa de Paul Ricouer encontra uma de suas maiores
defesas no papel que ela exerce entre o ponto de vista descritivo sobre a ação e
o ponto de vista prescritivo. Descrever, narrar e prescrever, cada argumento significa
uma especifica relação entre a ação do sujeito e a construção de si. O que nos define? Narrar nossas historias, prescrever ou sermos
narrados sobre a ação de outro ponto de vista prescritivo? Nossas experiências
nos moldam todo tempo, mas pensar sobre nosso impacto com a relação com o outro
nos trazem novas experiências. Segundo Paul Ricoeur, por essa instabilidade
emprestada dos hábitos e das identificações adquiridas, em outras palavras, das
disposições, o caráter assegura ao mesmo tempo a identidade numérica, a
identidade qualitativa, a continuidade ininterrupta na mudança e, finalmente, a
permanência no tempo que definem a mesmidade (RICOEUR, 1991, p. 147).
Interpretar e descrever e narrar são ações que nos moldam ? para si, tanto quanto para os outros ? Paul Ricoeur aponta o problema da alteridade e solicitude na obra “O si mesmo como outro”. Sendo a alteridade distinguida pela relação de uma pessoa psicossocial. A solicitude é marcada pela boa vontade, pelo desejo de atender da melhor maneira possível a alguma solicitação; empenho, interesse, atenção. O que a solicitude acrescenta é a dimensão de valor que faz cada pessoa ser insubstituível em nossa afeição e em nossa estima. O que faz o outro ser marcado por uma relação de afetividade não são os emotions digitados naquele momento, mas sim, a temporalidade de narrar, descrever com atenção o desejo de estar presente, ser sujeito afetivo da contemplação do afeto de si e do outro. O afeto de si, não como egocentrismo Narcisista, mas do reconhecimento do bem que o outro nos proporciona e do desejo de retribuição. Não há dúvida de que a comunicação é fundamental para a formação dos afetos. Dessa forma, é possível afirmar que mesmo que a globalização ainda altere os padrões do cotidiano de cada individuo e a tecnologia se torne uma barreira física entre as pessoas , existe a solicitude na comunicação, ela também une diferentes formas de afetos, mesmo que existam diferentes barreiras linguísticas no mundo. Sendo assim, a emoção permanece em um lugar privilegiado nas concepções psicossociais , pois é através da comunicação e do olhar sobre nós mesmo, que se constrói com o outro, os laços de afetividade,como o amor. E mesmo em meio a multidão de cadeiras vazias, não estaremos sozinhos.



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